Existem mais de 300 prêmios pela paz no mundo. Porém nenhum deles é tão bem conhecido e respeitado quanto o Prêmio Nobel da Paz.
A longa história do Nobel da Paz; o fato de pertencer a uma família de prêmios, a família Nobel, onde todos os membros se beneficiam desta relação; a crescente independência política do Comitê Nobel Norueguês; o valor monetário do prêmio; todos esses fatores, particularmente nos últimos anos de sua história, têm ajudado esse prêmio a se tornar tão famoso e prestigiado.
Maneiras diferentes
As maneiras para se atingir a paz são diversas, bem como os indivíduos e organizações laureados com o Prêmio Nobel da Paz. Henry Dunant, fundador da Cruz Vermelha, dividiu o primeiro prêmio, em 1901, com Frédéric Passy, líder pacifista internacional da época. Ao lado de trabalhos humanitários e movimentos pela paz, o Prêmio tem sido dirigido a um vasto campo de ações, incluindo advogacia aplicada aos direitos humanos, mediação de conflitos internacionais, controle de armas e desarmamento.
O Testamento de Nobel e o Prêmio da Paz
Quando Alfred Nobel faleceu, em 10 de dezembro de 1896, descobriu-se que ele havia deixado um testamento, datado de 27 de novembro de 1895, no qual a maior parte de sua vasta riqueza deveria ser utilizada em cinco prêmios, incluindo um pela paz. O prêmio pela paz deveria ser dado à pessoa que "fez o maior ou o melhor trabalho pela fraternidade entre as nações, pela abolição ou redução de exércitos permanentes e pelo apoio a congressos de paz.". "O prêmio deveria ser entregue por um comitê de cinco pessoas, eleitas pelo Parlamento Norueguês (Storting).".
O Comitê Nobel Norueguês, do qual os cinco membros são indicados pelo Parlamento Norueguês (Storting), é responsável tanto pelo trabalho preparatório, relacionado à escolha do vencedor, quanto pela entrega do Prêmio Nobel da Paz. Nobel não deixou nenhuma explicação sobre porque o prêmio da paz deveria ser entregue por um comitê norueguês, enquanto os outros quatro prêmios seriam administrados por comitês suécos.
O Prêmio Nobel da Paz durante 100 anos
Algumas linhas de desenvolvimento podem ser percebidas nos mais de 100 anos de história do Prêmio Nobel da Paz.
Primeiramente, apesar de o Comitê Nobel Norueguês nunca ter formalmente definido o que seria "paz", na prática, o termo foi interpretado da maneira mais abrangente. Essa abrangência poderia ter suas falhas, porém evitou o perigo de fechar o comitê em categorias fixas e deu-lhe flexibilidade para adaptar-se a novas questões.
Em segundo lugar, vagarosamente no início, a lista de laureados tornou-se continuamente global, de maneira que, nos anos 70, todos os continentes, com exceção da Austrália e Oceania, estavam representados. Nas indicações e correspondências ao comitê, é fácil ver como um prêmio entregue a um continente estimulou o interesse pelo prêmio da paz.
Em terceiro lugar, embora Bertha von Sutter tenha sido premiada com o Prêmio da Paz em 1905, nas primeiras décadas poucas mulheres eram selecionadas. Em décadas recentes, isso também mudou, no entanto não de forma tão dramática como a distribuição geográfica dos laureados; de maneira que, no ano 2000, dez mulheres haviam recebido o Prêmio Nobel da Paz.
Em quarto lugar, o Comitê Nobel Norueguês passou continuamente a utilizar o Prêmio Nobel da Paz não apenas como uma recompensa por feitos bem sucedidos, mas também como incentivo para que os laureados lograssem ainda mais. E tudo isso deve ser citado para refletir a coragem dos membros do comitê ou, talvez com mais exatidão, o crescente prestígio do Prêmio Nobel da Paz.
Nenhum prêmio será capaz de estabelecer um registro histórico "perfeito", qualquer que seja. A maioria dos observadores concordarão que a omissão de Gandhi na lista de laureados com o Nobel é uma falha séria, mas deve ser a única de tal importância. Bem deve haver alguns laureados que não deveriam ter recebido o prêmio, mas ainda assim receberam. Porém não há um consenso sobre quem estes laureados seriam. A controvérsia certamente não é um bom juíz nesse âmbito. Na retrospectiva histórica, vários dos mais controversos prêmios são agora considerados entre os mais bem sucedidos.
De Geir Lundestad, diretor do Instituto Nobel na Noruega. Editado pela Marte Graff Jenssen