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Sociedade e Política

Jovens noruegueses em campanha contra o tráfico de seres humanos no Brasil

Nesta quinta-feira (27/10), cerca de 120 mil alunos noruegueses do ensino médio e fundamental irão trabalhar o dia inteiro para arrecadar dinheiro, numa iniciativa contra o tráfico de seres humanos no Brasil, que também é um problema que envolve a Noruega.

14/12/2005 ::

A campanha se chama Operação Um Dia de Trabalho (OD) e será realizada pela 39ª vez. A cada ano, um novo projeto é escolhido e esta é a quarta vez que os fundos são destinados ao Brasil. Nos anos anteriores, a campanha obteve quase 30 milhões de coroas norueguesas (cerca de 10 milhões de reais) para diversos projetos humanitários. O dinheiro será usado durante um período de cinco anos.

O dinheiro arrecadado pelos estudantes noruegueses durante a campanha será distribuído para cinco ONGs brasileiras e seus respectivos projetos, por meio da organização Ajuda da Igreja Norueguesa, que é a organização parceira da OD este ano.

O tráfico de seres humanos é o terceiro maior tráfico criminoso no mundo, atrás dos tráficos de armas e drogas. Por todo o mundo pessoas são compradas e vendidas como mercadorias; o tráfico envolve principalmente mulheres e jovens. A campanha deste ano tem o objetivo de chamar a atenção para esse problema, tanto na Noruega quanto no Brasil.

A líder da campanha, Kristin Rannem (19 anos), diz que os jovens noruegueses escolheram apoiar o Brasil neste ano por causa das muitas meninas brasileiras que são enviadas pelo mundo afora, como se fossem produtos, especialmente para os países ocidentais. Muitos meninos também sofrem com isso, em grande parte usados no trabalho escravo, em plantações localizadas em seu próprio país e em outros países onde haja demanda por trabalhadores não remunerados.

- A diferença entre ricos e pobres é enorme no Brasil, o que torna os jovens que vivem nas ruas e nas vilas presas fáceis para os traficantes. Eles têm poucas ou nenhuma oportunidade de emprego e péssima educação escolar. Nós queremos ajudar a corrigir esse quadro dando aos jovens brasileiros outras alternativas, diz Rannem.

- Vamos utilizar o dinheiro em coisas concretas, como em educação, por exemplo; especialmente para as meninas que, dessa forma, terão a oportunidade de permanecer em suas cidades, ao invés de se aventurarem nas grandes cidades e serem capturadas. Também promoveremos um trabalho informativo entre os jovens de rua.

Nos meses de junho e julho deste ano, Kristin Rannem, Kjartan Tollefsen Laupstad e Thea Bure, membros do comitê central da campanha, reuniram-se com o coordenador de projetos da Igreja de Ajuda Norueguesa, Christian Schøien, no Brasil, para visitarem as cinco entidades parceiras da campanha (Viva Rio, Diaconia, Serviço da Mulher Marginalizada, Ação Educativa e Instituto Socioambiental) . Durante a viagem pelo Brasil, os membros coletaram informações para a campanha na Noruega.

Entre as localidades visitadas estavam Rondonópolis, no noroeste do Brasil, um dos pontos principais do tráfico de seres humanos, já que a cidade está localizada bem perto da fronteira com a Bolívia.

- Aqui nós aprendemos sobre a organização e sobre como é feito o trabalho com as prostitutas, com o tráfico de pessoas e sobre as leis que norteiam esse processo, diz Rennem.

Os jovens também estiveram em Brasília, onde encontraram o Secretário dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, entre outras autoridades.

Durante a visita ao Brasil, os jovens noruegueses convidaram 20 jovens brasileiros das cinco organizações parceiras para visitarem a Noruega e explicarem para os jovens noruegueses como é a situação em seu país.

Antes do início da operação, no dia 27 de outubro, foi organizada uma Semana Internacional na Noruega. Foi uma campanha informativa, na qual os jovens noruegueses aprenderam o máximo possível sobre o projeto deste ano, antes do dia da ação propriamente dita.

Juliana Dias dos Santos, do Estado de São Paulo, está entre os 20 brasileiros que viajaram pela Noruega para contar sobre como muitos jovens brasileiros vivem, durante a campanha informativa.

Ela conta que muitos jovens brasileiros de pequenas vilas migram para as grandes cidades, onde se arriscam a serem abordados pelos criminosos. Por isso, o objetivo da ação deste ano é ajudar os jovens das pequenas comunidades brasileiras a terem oportunidades de educação, e ajudá-los a utilizar essa educação e competência em suas próprias cidades.

Juliana não tem dúvidas de que o dinheiro da Operação Um Dia de Trabalho irá significar muito para as crianças e jovens do Brasil. Ela espera, entre outras coisas, que o dinheiro seja usado para a melhoria do ensino público.

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A questão do tráfico humano está em foco este ano, e o Brasil foi o país escolhido pelo OD para receber o dinheiro arrecadado pela campanha.Photo: OD

Logomarka da ODPhoto: OD

Djaneide Jokasto, Juliana Pajeú, Joselito Costa e Camila Kerasy são entre os 20 brasileiros que foram convidados para Noruega para informar jovems noruegueses sobre o situação no Brasil durante a campanha.Photo: Diaconia

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