Quando os portugueses chegaram ao Brasil há cerca de 500 anos, acredita-se que a população indígena compreendia por volta de 2 a 4 milhões de indivíduos. Havia uma estimativa de que 1.000 diferentes tribos viviam no território brasileiro.
Hoje restam em torno de 220 tribos indígenas, cada uma com as suas características únicas. O número de indígenas caiu para aproximadamente 700.000, o que corresponde a cerca de 0,4 % da população total. Destes 700.000, aproximadamente 370.000 continuam vivendo em área indígena. Mais de 180 diferentes línguas indígenas são faladas no Brasil.
As condições mudaram
O final da ditadura militar e a nova Constituição de 1988 mudaram dramaticamente as condições do trabalho, com a salvaguarda dos direitos dos povos indígenas brasileiros. O Brasil tem uma das leis mais progressistas do mundo a respeito dos povos indígenas, que dá aos índios direitos extensos. Ainda assim, poucas dessas leis são cumpridas na prática. E ainda ha problemas gravíssimas em outros setores, como o atendimento médico.
Há comunidades indígenas em praticamente todos os estados dentro do território brasileiro. Terras indígenas são áreas de proteção, onde não-indígenas não são permitidos sem autorização. As terras indígenas ocupam aproximadamente 12,4% da extenção do Brasil. O maior número de terras indígenas está na região amazônica. Por extenção, a Amazônia inclui quase 99% das terras indígenas. Para obter informações mais específicas sobre o número atual de terras indígenas identificadas no Brasil, e o status destas terras, recomendamos uma visita ao site do Instituto Socioambiental.
Tribos sem contato
Cerca de 30% da população indígena vive em áreas urbanas, e já está, em maior ou menor extensão, integrada na sociedade não-indígena. Por outro lado – e em total contraste com os índios urbanizados – ainda há tribos na Amazônia que não têm contato com o mundo não-indígena. Essas tribos estão sendo observadas à distância. A FUNAI – Fundação Nacional do Índio – têm adotado a conduta de não forçar o contato com povos isolados.
A criação de novas terras é uma exigência constante das comunidades indígenas, o que ajuda a proteger as tribos de atividades predatórias como as praticadas por algumas mineradoras, garimpeiros, agricultores e indústrias madeireiras. Mesmo assim, é uma luta contínua manter garimpeiros, madeireiros e lavradores distantes desses territórios.
A situação dos indígenas no sul e nordeste é particularmente complicada. Muitas vezes não há reconhecimento do povo nem da terra indígena. Quando há, o território demarcado é muito pequeno, o que impossibilita a vida tradicional destes povos.

Enawene Nawe: Preparados para ritual.
Kristian Bengtson e Marte Graff Jenssen