Ibsen 2006

Prefácio – Ibsen no Cinema

Se Ibsen tivesse vivido hoje em dia, teria sido um cineasta, afirmou Liv Ullmann numa entrevista dada em 1978, em conexão com a produção televisiva de A Dama do Mar (realizada por Per Bronken). Erik Pierstoff, na altura crítico de teatro, expôs o assunto, de certo modo, em termos mais gerais nesse mesmo ano (Filme & Kino, No. 1, 1978): «Ibsen poderia bem ter sido cineasta (...).Ele era, naturalmente, um homem de grande talento no que diz respeito ao elemento visual... Como é óbvio, a ideia de Ibsen enquanto cineasta é hipotética, mas não se pode negar que muito nos seus textos – ou, para colocar o assunto de forma mais precisa, a temática das suas peças mais tardias – clama, por assim dizer, por visualização. Essa circunstância faz com que seja uma tentação pensar de que modo ele, porventura, trabalharia enquanto cineasta».

Na mesma edição, o escritor Karsten Alnæs disse: «No entanto, Ibsen está longe de ser um homem do cinema. A maioria dos filmes sobre Ibsen são de má qualidade ou não têm qualquer interesse, havendo apenas um filme sobre Ibsen que podemos afirmar  com certeza que entrou para a história do cinema» - referia-se à versão cinematográfica de Terje Vigen (1916), da autoria de Victor Sjöström, que versava sobre os anos dourados do cinema mudo na Suécia (Elisabeth Liljendahl: Stumfilmen i Sverige, Proprius 1975).

Vinte anos mais tarde, durante o seminário «Ibsen no Cinema», sob os auspícios de, entre outras entidades, o Centro de Estudos sobre Ibsen e o Instituto Norueguês de Cinema (Setembro de 1998), a Directora do Centro Ibsen, Astrid Sæther, fez a mesma observação: «Poucas das adaptações das obras de Ibsen ao cinema conseguiram lugar na história desta arte (com a excepção de Terje Vigen) (...). As obras de Ibsen estão cheias de boas histórias. Por que motivo ninguém conseguiu criar, de forma artística, bons filmes a partir destas obras, da mesma forma que o conseguiram fazer com as obras de Shakespeare?».

Com os comentários acima como pano de fundo, o Instituto Norueguês de Cinema reviu a terceira edição da filmografia de adaptações ao cinema de obras de Ibsen do Instituto de Cinema sendo esta a primeira versão na Internet, produzida em estreita cooperação com o projecto ibsen.net no Centro de Estudos sobre Ibsen.
Conforme confirma a citação acima, apenas existe um número limitado de obras cinematográficas. Seja esta circunstância devida, como Alnæs também alega no seu artigo a «Com muita sensatez, os realizadores de cinema mais importantes mantiveram-se bem longe de Henrik Ibsen. Perceberam que o imaginário do autor e o seu mundo simbólico pertenciam ao palco e ao teatro e, assim, estavam a um nível muito mais elevado do que a maior parte das outras obras ficcionais», ou outras razões existam para que tão poucas obras fossem postas em filme, é algo sobre que não vamos especular. Não empreendemos qualquer avaliação dos filmes existentes – trata-se essa de uma tarefa para a história.

Até hoje foram registados 56 títulos. É preciso referir que a obra Uma Casa de Bonecas foi filmada 12 vezes, ao longo de uma período de tempo que vai de 1911 (E.U.A.) a 1993 (Irão). A importância internacional de Uma Casa de Bonecas reflecte-se também no facto de este drama ter sido agora registado na lista da UNESCO do legado cultural do mundo (Memória do Mundo), após nomeação pela Comissão da UNESCO na Noruega.

Estão abrangidos três continentes – Ibsen foi filmado na Europa, na Ásia e na América do Sul e do Norte. Apenas a África não possui qualquer produção registada na sua filmografia. É possível que haja alterações com a aproximação da edição do jubileu em 2006. Continuaremos a procurar nos arquivos internacionais de cinema!

Não incluímos as produções televisivas. Caso tivessem sido incluídas, esta filmografia teria um tamanho completamente diferente. Porém, precisaríamos de ter disposto de uma sólida contribuição dos nossos próprios produtores de televisão.

Esta filmografia é uma obra de referência e não um catálogo de filmes existentes. Uma série de filmes perdeu-se provavelmente para sempre, nem todos os existentes estão disponíveis em edições completas e outros não são possíveis de obter. A informação sobre os diferentes títulos estará também mais ou menos completa, consoante a quantidade de dados que conseguimos obter por nós próprios. A nossa intenção foi desenvolver um inquérito o mais completa possível de versões cinematográficas de obras de Ibsen e, como tal, esperamos que seja útil e também agradável de consultar.

Questões que estejam relacionadas com filmes específicos devem ser endereçadas a museum@nfi.no.


Oslo, Janeiro de 2002 (actualizado em Julho de 2005)

Vigdis Lian
Director do Instituto Norueguês de Cinema

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