Ibsen 2006

Factos

Catilina

Foi com Catilina que Ibsen se estreou como dramaturgo. A peça foi escrita durante os primeiros três meses de 1849, devendo as primeiras anotações para a mesma ter sido efectuadas para o fim do ano de 1848. Nessa altura, Ibsen tinha apenas vinte anos (o seu vigésimo primeiro aniversário seria a 20 de Março de 1849) e era assistente do farmacêutico Lars Nielsen em Grimstad. Ibsen mudara-se para Grimstad em 1844, onde viveu até 1850.

O autor escreveu a peça à noite. No prefácio da segunda edição (1875), Ibsen afirma:

«Ao meu bom e honesto patrão, que estava completamente absorvido pelos seus negócios, tive de roubar algum tempo livre para estudar e, destas horas roubadas, voltei a roubar alguns momentos para escrever. Assim sendo, pouco mais havia a que recorrer senão à noite. Penso ser essa a causa inconsciente para que toda a acção da peça decorra durante a noite».

Ibsen conjugou o trabalho como aprendiz e, posteriormente, assistente de farmacêutico com os estudos para os examen artium, as provas que concedem a qualificação para entrar na universidade. Em relação a estas, teve aulas privadas de Latim e, entre outras obras, passou pelas obras Catilina de Salústio e pelos discursos de Cícero contra Catilina.
O autor escreve no prefácio da segunda edição o seguinte:
«Devorei estas obras e, alguns meses depois, o meu drama estava concluído. Como se verá através do meu livro, na altura não partilhei da opinião dos antigos escritores romanos sobre o carácter e as acções de Catilina e ainda estou inclinado a pensar que haverá de ter existido alguma coisa de grandiosidade e valor num homem a quem Cícero, o incansável orador da maioria, não achou ser conveniente defrontar antes de a questão dar tal volta que um ataque já não seria perigoso. Deve também recordar-se que poucas figures históricas houve cuja reputação póstuma tenha estado exclusivamente mais nas mãos dos seus adversários do que a de Catilina».

Primeira edição
Ibsen leu Catilina aos seus dois amigos mais próximos em Grimstad, Christopher Due e Ole Carelius Schulerud, que ficaram muito entusiasmados. O manuscrito de Ibsen era um rascunho por trabalhar e provavelmente seria a primeira e única versão existente na altura. Due fez uma cópia deste manuscrito e Schulerud levou-o para Cristiânia para ser entregue no Teatro de Cristiânia e depois ser publicado em livro. No entanto, a resposta foi negativa.

No prefácio da segunda edição (1875) Ibsen escreve:

«A direcção do teatro devolveu a peça ao meu amigo, tendo-a rejeitado com educação mas igual firmeza. Então, ele levou o manuscrito de livreiro em livreiro, mas todos responderam da mesma forma que a direcção do teatro. A melhor oferta era para cobrança de uma determinada quantia pela impressão da peça sem pagamento de honorários».

Contudo, Schulerud não desistiu até ver publicada a obra do amigo. Com a ajuda de uma quantia que herdara, fez publicar Catilina, sob comissão, no livreiro P. F. Steensballe, em Cristiânia. A peça foi publicada com o pseudónimo Brynjolf Bjarme a 12 de Abril de 1850 numa edição de 250 exemplares.

O livro foi sujeito a juízo em quatro espaços e as críticas foram relativamente favoráveis, embora as vendas não fossem de grande monta. Apenas 40 exemplares foram vendidos no primeiro ano.
 
O próprio Ibsen descreve o destino difícil da peça no prefácio da segunda edição:

«Não foram vendidos muitos exemplares da pequena edição. O meu amigo tinha uma série deles a seu cuidado e lembro-me de que, uma noite, quando o estado da nossa economia doméstica comum demonstrou que dificuldades insolúveis se amontoavam para nós, [Ibsen e Schulerud partilharam aposentos em Cristiânia de Abril de 1850 a Outubro de 1851, primeiro num quarto de sótão em Vika e depois num andar de uma casa em Møllergaten], transformámos esta pilha de papel impresso em papel usado e vendemo-lo alegremente a um comerciante. Nos dias que seguiram não nos faltou nenhuma das necessidades primárias da vida».

Não se sabe exactamente quantos exemplares desta edição estavam em causa. Parte da edição estava ainda na posse de Steensballe e o restante com livreiros em todo o país. Em 1875, quando a segunda edição foi publicada pela editora Gyldendal, restavam ainda 55 exemplares da primeira edição.

Segunda edição
A 20 de Março de 1875, uma segunda edição revista de Catilina foi publicada pela editora Gyldendalske Boghandel (F. Hegel) em Copenhaga, num total de 3000 exemplares.

Esta reedição aconteceu por sugestão do próprio Ibsen. Desejava fazê-la para marcar o seu 25º aniversário como autor. Apresentou a ideia a Frederik Hegel numa carta enviada de Dresden a 23 de Novembro de 1874. A resposta de Hegel foi positiva.

As alterações que Ibsen efectuou no manuscrito de Catilina eram basicamente de natureza estilística. No prefácio desta edição, escreve:

«Assim, decidi rever esta juvenil obra de minha autoria de uma forma que pensei poderia ter feito mesmo naquela idade, se tivesse tido tempo para isso e se as circunstâncias tivessem sido mais favoráveis. Por outro lado, não toquei nas ideias, nas imagens nem no desenvolvimento do enredo. O livro ainda é o original, excepto pelo facto de que agora surgiu numa forma completa».

Primeira representação
Catilina é posta em cena muito raramente, tendo decorrido trinta anos entre a publicação da primeira edição e a primeira representação. Quando esta ocorreu, a 3 de Dezembro de 1881 no teatro Nya Teatern, em Estocolmo, não se tratava do texto da primeira edição, mas sim o da segunda que foi usado. Ludvig Oscar Josephson dirigiu a produção.

O público mostrou grande interesse pela produção, mas as críticas foram maioritariamente negativas.

Enviar este artigo a um amigo  
Print version
Noruega - o site oficial no Brasil / / Contact information
© 2006 Ibsen worldwide