Ibsen 2006

O espetáculo “Espectros” em Belo Horizonte

O Grupo Intervalo está montando esses dias o espetáculo “Espectros”, do dramaturgo Henrik Ibsen, no Teatro da Assembléia, em Belo Horizonte.

13/11/2006 ::  A peça, que foi escrita em 1881, gerou polêmica pelo caráter provocativo do texto e dos temas abordados. O livro foi publicado em Copenhagen no dia 13 de Dezembro de 1881, e causou uma tempestade de horror e fúria pela qual Ibsen nunca antes tinha passado. A obra foi enviada para uma série de teatros na Escandinávia, mas todos a rejeitaram. Deste modo, a primeira apresentação de todas ocorreu no Aurora Turner Hall, em Chicago, no dia 20 de maio de 1882. A primeira produção européia da peça ocorreu em Hälsingborg no dia 22 de agosto de 1883, sendo realizada pela companhia teatral sueca de August Lindberg. Entre os temas que a peça aborda estão a posição da mulher na sociedade, incesto e eutanásia, que revelam a intenção do autor de questionar as convenções sociais e normas instituídas.
“Espectros” traz a história da Sr.ª Helene Alving, viúva do Capitão Alving, antigo Tesoureiro Municipal de Rosenvold – um homem muito estimado na comunidade. O casamento foi infeliz para a Sr.ª Alving, mas ela tudo fez para esconder o fato de o marido ser um alcoólatra que gozava de uma vida depravada na mansão. Alving tinha uma filha, Regine, de uma criada da casa, e um filho, Osvald, da esposa. Regine é agora criada da Sr.ª Alving, ao passo que Osvald fora enviado ainda pequeno para o estrangeiro com o fim de ser protegido do ambiente familiar. Regine pensa que é filha de Engstrand, um carpinteiro que se encontra terminando um trabalho num lar para crianças a ser inaugurar no dia seguinte em memória do Capitão Alving. Depois disto, Engstrand quer levar Regine para a cidade vizinha com o intuito de ajudá-lo a abrir uma taberna para marinheiros. Regine e a Sr.ª Alving são ambas contra. Regine imagina que poderá ir para Paris com Osvald, agora um pintor vindo de Paris, que regressou à casa com o propósito de estar presente na inauguração do lar para crianças.
Na noite anterior à cerimônia, o lar em memória do Capitão Alving é destruído pelas chamas. Manders insistira que o lar não devia ser sujeito a seguro, tendo agora receio pela sua reputação como eclesiástico e gestor financeiro. Chega a um acordo secreto com Engstrand, segundo o qual este assumirá a culpa pelo incêndio em troca da transferência dos fundos para gestão do lar para investimento no planeado lar para marinheiros, na cidade.
Osvald conta à mãe que sofre de sífilis, que pensa ter contraído como resultado da vida boêmia que levava em Paris. Tem medo de se tornar num inválido e espera que Regine esteja disposta a ajudá-lo a tomar uma overdose de morfina na fase final da doença. Porém, quando Regine percebe que ele se encontra doente e de que é, na verdade, seu meio-irmão, abandona Rosenlund para fazer a sua vida na cidade. A Sr.ª Alving conta a Osvald qual a verdadeira natureza do pai, revelando-lhe que ele herdou a doença do pai. Cabe-lhe agora a ela decidir se é capaz de dar ao filho uma overdose de morfina. A peça termina com o nascer do sol e com Osvald sucumbindo à fase final da sua doença.
Não é a primeira vez que o grupo Intervalo se debruça sobre “Espectros”. Há poucos anos, os atores começaram a estudar o texto, mas tiveram contratempos com o elenco. O centenário da morte de Ibsen foi um estímulo para a retomada do trabalho. Desta vez, Mudado compartilha a direção com Marcelo Luiz e defende que o trabalho em conjunto permite maior aprofundamento do texto. No palco, Rachel Dornelas, Marcelo Luiz, Marco Túlio Zerlotini, Pauline Braga e Vinícius Cavalcanti.


 

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