Peça do norueguês Henrik Ibsen dirigida por Sérgio Ferrara estréia dia 18/07/08 em São Paulo
14/7/2008 :: Em setembro de 2005, o diretor Sérgio Ferrara foi convidado para dirigir uma leitura dramática da peça "O Inimigo do Povo", no Sesc Consolação, evento que deu início às comemorações do centenário de Henrik Ibsen, celebrado em 2006. A peça estreou em outubro de 2006, no Sesc Ipiranga e depois em 2007, fez uma longa temporada no Teatro Ruth Escobar, Tuca e na Viagem Teatral do Sesi, em São Paulo.
Diretor Sérgio Ferrara. Foto: Jefferson Pancieri.
"Nesse logo contato que tive com a obra de Ibsen, tomei conhecimento dessa peça inédita no Brasil, nunca antes traduzida e encenada. É muito importante continuar essa pesquisa, sobre a obra desse dramaturgo, que revolucionou a estrutura da dramaturgia do nosso século, tido como o pai do realismo e considerado universalmente o Shakespeare da contemporaneidade. Além de trazermos para o público uma obra inédita de Ibsen, também estaremos debatendo através desse texto o tema da intolerância religiosa, que, quando misturada com assuntos políticos, pode levar as nações a guerras intermináveis em nome de Deus", aponta Sérgio Ferrara.
Imperador e Galileu
Cristianismo e paganismo, intolerância religiosa e preconceito, as relações sinuosas da Igreja com o Estado. Essas são algumas das polêmicas debatidas em "Imperador e Galileu", peça do norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), que ganha montagem inédita no Brasil, pelas mãos do diretor Sérgio Ferrara. A peça estréia em 18/07/2008, no Sesc Santana, zona norte de São Paulo, e tem o ator Caco Ciocler como protagonista, no papel do imperador Juliano.
O texto, escrito em 1873, era considerado pelo próprio Ibsen a sua maior obra. "Imperador e Galileu" trata da vida do imperador Juliano (século IV d.C), que se tornou figura polêmica ao tentar destituir a igreja católica como religião oficial do império romano e resgatar os cultos pagãos.
Maximo - O Mago e Imperador Juliano (Sylvio Zilber e Caco Ciocler). Foto: Marcio Scavone
A peça, traduzida por Fernando Paz e adaptada por Sérgio Ferrara , cobre um período de 12 anos, de 351 a 363 A.D., numa época de conflito entre o Cristianismo e o Helenismo. Na abertura da peça Juliano tem 19 anos e com o seu meio-irmão Galo, herdeiro do trono, vive sob o período de terror instaurado pelo imperador cristão Constâncio, que tinha mandado assassinar toda a família de ambos. Juliano fora educado como cristão, mas é perseguido pela dúvida. Sob a influência do seu tutor, o filósofo Libânio, vai para Atenas aprender sobre a religião dos pagãos. Porém, também não consegue alívio na adoração dos antigos deuses, ansiando por uma revelação que lhe mostre que caminho seguir. Máximo, o místico de Efeso, revela-lhe a visão do "terceiro reino", um reino que se baseará na ética cristã, na sabedoria pagã e na alegria pela vida. Juliano torna-se imperador e declara a liberdade religiosa a todos os cidadãos.
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Quando assumiu o império romano, a primeira coisa que Juliano fez foi tentar extinguir a igreja católica como igreja oficial do Estado. O escândalo foi enorme. Juliano foi considerado um Anticristo e assassinado aos 32 anos, no deserto, por um criado e amigo cristão. A peça, que se passa no século IV, discute, dentre outros tópicos, a intolerância religiosa presente ainda nos dias de hoje.
Elder Fraga