O artista norueguês Lars Ramberg foi escolhido pelo time de curadores da mostra que se baseou em trabalhos anteriores dele como Fremdgehen e Zweifel, onde ele mostra as dificuldades de se morar com alguém.
2/10/2006 :: Zweifel é uma instalação em escala urbana que o artista, que vive em Berlin há alguns anos, montou no telhado do Palast der Republic na antiga DDR - Deutche Democratik RepubliK (República Democrática Alemã) que era o local de governo da Alemanha Oriental antes da reunificação. O prédio, hoje fora de uso, foi indicado para ser destruído. Havia uma calorosa discussão sobre se ele deveria ser mantido como um sinal de uma parte da história contemporânea da Alemanha, ou se esse prédio desinteressante (apelidado de ”A Loja de Luminárias de Erich Hoenecker”), feito em um estilo oficial brando, próprio das construções institucionais da era da Guerra Fria, deveria ser demolido e substituído por uma nova versão do prédio histórico que o precedeu, o Berliner Schloss. Ramberg instalou um grande letreiro luminoso com a palavra Zweifel (“dúvida”), sinalizando as incertezas associadas não só ao próprio prédio, mas também ao seu significado: teria a reunificação dado a todos os cidadãos germânicos direitos e oportunidades iguais?
Para São Paulo, Ramberg decidiu apresentar um filme que mostra uma imagem do prédio em um plano fixo onde o letreiro Zweifel foi instalado, feita em alta definição de vídeo e projetada em uma escala quase arquitetural; ao lado, haverá um pequeno monitor com uma webcam com imagens feitas ao vivo do Palast der Republic sendo demolido.
Lars Ramberg também irá apresentar um novo trabalho, que foi generosamente fundado pela OCA. “We Intended to Sing the Love of Danger, the Habit of Energy and Fearlessness” (algo como “Nós Pretendíamos Cantar o Amor do Perigo, o Hábito da Energia e da Falta de Medo”) consiste em uma casa de visão futurística colocada em uma plataforma giratória. Há muito tempo interessado em arquitetura radical e design dos anos 70, Ramberg localizou e trouxe um dos poucos exemplos ainda existentes da casa “Venturo”, uma cabana de plástico pré-fabricado criada pelo arquiteto finlandês Matti Suuronen em 1970 – 71. A casa estava em um grande depósito há décadas, a carcaça envelhecida do modernismo falido. A Venturo foi originalmente idealizada para ser uma casa de praia ou bangalô que pudesse ser transportada e instalada em qualquer lugar, satisfazendo desta maneira o objetivo modernista de ser universal, sem precisar reagir a um certo contexto. Ao contrário de outros designs de Suuronnen (como por ex. a famosa casa “Futuro”), a Venturo foi um fiasco comercial e logo saiu de produção. Para a Bienal de São Paulo, a Venturo será recolocada em um contexto significante: o pavilhão de Oscar Niemeyer, que abriga a Bienal inteira. Com apenas uma restauração muito crua e colocada em cima de um carpete estampado com uma paisagem idílica, “We Intended to Sing the Love of Danger, the Habit of Energy and Fearlessness” também servirá de local para entrevistas com Suuronen, de quem Niemeyer foi uma influência reconhecida. Por meio da apresentação de Ramberg, o design futurístico nórdico irá estabelecer um contato interessante com o modernismo tropical brasileiro.