Idioma
Cultura

Edvard Grieg

Edvarg Grieg (1843-1907) é o símbolo exato da Noruega no mundo da música. Poucos noruegueses se tornaram tão amplamante conhecidos ou causaram tão profunda impressão como Grieg. Juntamente com os compositores Jean Sibelius, finlandês, e Carl Nielsen, dinamarquês, ele é considerado o mais proeminente representante da música nórdica de todos os tempos.

A vitalidade melódica inata da música de Grieg o fez ganhar aclamação de gerações de amantes da música pelo mundo todo, e sua música parece tão fresca hoje quanto era quando foi composta. Seu forte apelo encontra-se não só em seu caráter visivelmente nacional como também na universalidade das emoções humanas expressas na música. Assim, a arte de Grieg é uma personificação de seu próprio credo artístico: "Alguém deve primeiro ser humano. Toda arte verdadeira cresce do que é claramente humano."
 
Identidade Nacional
No espaço de poucos meses em 1865, Grieg escreveu três trabalhos que mostram que ele estabeleceu seu próprio estilo distinto, Humoresques para piano (op. 6), Sonata de Piano em Si Menor (op. 7), e Sonata de Violino em Fá Maior (op. 8). Esses trabalhos deixam claro que ele encontrou sua verdadeira vocação, para criar música que funde seu jeito pessoal de expressão com características nacionais.

Estas composições pioneiras foram logo seguidas por dois outros trabalhos que revelaram ainda maior maturidade e originalidade: Sonata de Violino em Sol Maior (op. 13) e Concerto de Piano em Lá Menor (op. 16). Esta última, escrita em 1868, tornou-se uma das mais amplamente executadas de todos os concertos de piano. Ela abunda em idiomas melódicos, rítmicos e harmônicos da música folclórica derivada da terra natal do compositor. Frédéric Chopin e Mikhail Glinka já tinham dado um exemplo na Polônia e na Rússia, respectivamente, e compositores em vários outros países, incluindo os países nórdicos, foram similarmente inspirados. Na Noruega, Grieg teve precursores importantes em Ole Bull (1810-80), Halfdan Kjerulf (1815-68), e Rikard Nordraak (1842-66), cujas idéias ele acolheu. A meta deles de criar música típica norueguesa teve um papel importante para Grieg em sua busca por sua própria identidade como compositor nacional.
 
Mais do que um Miniaturista
Frequentemente atormentado por sua saúde ruim, Grieg não era altamente produtivo como compositor de música de grandes formas, e foi ocasionalmente chamado de "miniaturista". Um número considerável de seus trabalhos, contudo, foram classificados entre as mais belas realizações de sua época. No entanto, devido à reação contra o Romantismo que ocorreu antes da Primeira Guerra Mundial e que depois veio a deixar sua marca nos gostos musicais de nosso tempo atual, a música de Grieg esteve um tanto fora de moda durante a maior parte do século 20. De qualquer maneira, sua inspiração fresca e originalidade estão agora sendo redescobertas internacionalmente.

Apesar de mudar tendências, muitas das peças curtas de piano de Grieg conservaram sua popularidade até os dias de hoje, especialmente as charmosas composições reunidas nos dez volumes de Peças Líricas (1867-1901).
Como compositor de canções Grieg pode ser comparado a Johannes Brahms, Hugo Wolf e Richard Strauss como um dos principais compositores de seu gênero musical na era Romântica. Infelizmente algumas de suas mais belas contribuições, acima de tudo seus dois ciclos de canções, Canções Vinje (op. 33) e o ciclo Garborg, A Criada da Montanha (op. 67), sofreram com traduções pobres de alemão e inglês. Foi feita agora uma tentativa para retificar isso. Nos volumes 14 e 15 de Obras Completas de Edvard Grieg, no qual todas as canções de Grieg estão impressas pelas primeira vez, inglês novo e, em parte, novas traduções de alemão foram providenciadas.

A produção limitada de Grieg de música de câmara culminou em dois trabalhos notáveis, Quarteto de Cordas em Sol Menor (op. 27) e Sonata de Violino em Dó Menor (op. 45). A última, escrita em um estilo ousado característico dele, de muitas formas pressagia o quarteto Debussy na mesma tonalidade (1893). A sonata de violino é um trabalho profundo, no qual lirismo e intensidade dramática são mais notavelmente fundidas.

Algumas das composições de Grieg para orquestra de cordas, Duas Melodias Elegiac (op. 34), Suite Holberg (op. 40) e Duas Melodias Nórdicas (op. 63), são frequentemente tocadas hoje. Sua produção de obras orquestrais de larga-escala é bastante pequena. Ela varia da primeira Sinfonia em Dó Menor, através da abertura do concerto No Outono (op. 11) para Danças Sinfônicas (op. 64). Dentre seus trabalhos mais populares e executados estão as duas Suites Peer Gynt (op. 46 e op. 55), da música incidental da peça de Henrik Ibsen, que inclui preciosidades como “Na Grande Sala do Rei da Montanha”, “A Morte de Åse”, “Disposição Matinal”, “A Dança de Anitra”, e acima de todos, “A Canção de Solveig”. A música de Grieg para a peça (op. 23), que foi escrita a pedido de Ibsen em 1874-75, fez muito para interpretar o drama famoso por todo o mundo. A partitura, que abrange 26 peças, foi publicada em seu totalidade pela primeira vez em 1988 no volume 18 de Obras Completas de Edvard Grieg.

Grieg também contribuiu música para dois outros trabalhos dramáticos de menor significância. Em 1872 ele escreveu oito peças de música incidental para a peça histórica de Bjørnstjerne Bjørnson, Sigurd Jorsalfar. Três destas peças, incluindo a magnífica “Marcha de Homenagem”, foram publicadas para orquestra sinfônica (op. 56) em 1893. Grieg também colaborou com Bjørnson em uma ópera nacional, Olav Trygvason, em 1873, mas o projeto foi abandonado após alguns meses. O primeiro – e único – ato da ópera não foi encenado até 1889, e no ano seguinte uma partitura orquestral foi publicada como op. 50. Infelizmente, o trabalho permaneceu um torso. Edvard Grieg, que – juntamente com seu colega e amigo próximo Johan Svendsen (1840-1911) – foi o primeiro compositor norueguês a atingir fama mundial, deixou uma orgulhosa herança a seus sucessores. Muitos compositores tiveram dificuldades de se libertarem de sua influência. De qualquer maneira, compositores como Fartein Valen (1887-1952), Harald Sæverud (1897-1992), Klaus Egge (1906-79), e Arne Nordheim (b. 1931) têm estabelecido com sucesso seus próprios estilos individuais assegurando a Noruega um lugar na música contemporânea também.

Um Esboço Biográfico
Edvard Hagerup Grieg nasceu em 15 de junho de 1843 em Bergen, na costa oeste da Noruega, e morreu também em Bergen no dia 04 de setembro de 1907. Entre seus ancestrais havia um mercador escocês, Alexander Grieg (1739-1803), que emigrou de Aberdeen para Bergen em 1779.

De 1858 a 1862 Grieg estudou piano, teoria musical e composição no Conservatório de Música em Leipzig, Alemanha. Ele morou de 1863 a 1865 em Copenhagen, onde em 1867 se casou com sua prima Nina Hagerup (1845-1935), uma cantora excepcionalmente talentosa, que tornou-se a inspiração e a intérprete ideal para todas as canções do marido.

De 1866 a 1874 Grieg residiu na capital norueguesa, Oslo, onde foi um dos co-fundadores da breve Academia de Música, além de trabalhar como professor particular e maestro. Em 1871, após uma temporada em Roma entre 1869-70, onde recebeu grande encorajamento de Franz Liszt, fundou uma sociedade de concerto, "Musikforeningen", e tornou-se o primeiro maestro dela. Em 1874 ganhou uma bolsa anual para artistas do Stortinget (a assembléia nacional norueguesa), e três anos depois se mudou para Lofthus no fiorde de Hardanger, onde morou por alguns anos. Foi maestro da "Harmonien Music Society" em Bergen, em 1880-82. Os anos restantes de sua vida se passaram parte na Noruega, parte no exterior. Em 1884-85 ele construiu a villa "Troldhaugen" ("O Morro dos Trolls”), 10 km ao sul de Bergen. Desde 1928 "Troldhaugen" tem sido um museu de Grieg e uma grande atração turística.

 

Enviar este artigo a um amigo  
Print version

Edvard GriegPhoto: Museu do Edvard Grieg, Troldhaugen

TroldhaugenPhoto: John Steinar Hovland

Noruega - o site oficial no Brasil / Contactar a Embaixada / Contact information
© 2003/2007