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Entrevista com Leonardo Hilsdorf, vencedor do 1 Concurso Grieg-Nepomuceno em 2005.

O concurso do ano passado me fez superar o que eu achava ser o meu limite, e então, me acrescentar muito enquanto pianista e pessoa. Além disso, tudo o que experimentei como prêmio do concurso – a viagem, as aulas, os recitais, o concerto que esta por vir – foi um passo fundamental em minha jornada, disse o Leonardo Hilsdorf, paulista, pianista e vencedor do 1 Concurso Grieg-Nepomuceno que foi realizado em outobro ano passado.

16/10/2006 :: Quando ele ganhou o concurso recebeu um prémio de dez mil reais. Por cima disso o prémio incliu uma viagem para a Noruega.

- Você pode descrever sua chegada na Noruega? Como você foi recebido? Qual foi sua primeira impressão do país?
- Chegar em um lugar absolutamente novo e desconhecido, depois de uma longa e cansativa viagem aérea, e com algumas boas horas de fuso horário não é uma tarefa muito fácil. Some-se à isso a expectativa e ansiedade de ter 3 recitais nos dois dias que seguiram minha chegada e então essa tarefa se torna realmente difícil. Mas, vencido esses compromissos, pude, aí sim, começar a curtir e descobrir a Noruega. O país é realmente encantador, seja pelas paisagens naturais extraordinárias, pela qualidade incrível de vida que oferece ou pelo rico ambiente cultural. As pessoas, de forma geral, são muito simpáticas e prestativas, e fui realmente muito bem recebido. Claro que, de certo modo, é um povo mais reservado que o brasileiro, mas nem por isso menos acolhedor. Durante minha viagem estive hospedado na casa de Joachim, uma pessoa fantástica, que sempre esteve presente para me ajudar no que fosse preciso. Conheci alguns brasileiros por lá também, e posso dizer que tudo isso contribuiu para que minha viagem fosse ainda mais especial.


- Você notou alguma diferença entre a tradição musical norueguesa e a brasileira? Os músicos noruegueses são, de alguma forma, diferentes dos músicos brasileiros?
- Acredito que, por uma série de fatores históricos e conjunturas atuais, a Noruega tem uma identidade cultural - especialmente em música erudita - muito mais delimitada e valorizada do que a nossa. Ter um nome como o de Grieg em seu passado influencia todo o ambiente musical do país. Além disso, existe uma ampla infra-estrutura e política de apoio que torna a música erudita muito mais possível por lá. Do mesmo modo, porém, acredito que a música seja uma linguagem universal, e por isso, tanto faz para um músico ter nascido na Noruega ou no Brasil.


- A sua estada na Noruega lhe deu outra entendimento diferente da musica de Grieg?
- Com certeza! Conhecer a casa de Grieg em Bergen, e, sobretudo, ver a cabana onde ele compunha foi um dos momentos mais inspiradores e esclarecedores que já experimentei. Ver toda aquela natureza que o rodeava, e que cerca o país por todos os lados, me fez entender, e sentir, o porque da constante alusão a ela na obra de Grieg.


- Você notou alguma diferença entre tocar para uma platéia norueguesa e para uma platéia brasileira?
- O fato de o norueguês ter um temperamento e personalidade diferente da do brasileiro, ou seja, de ser mais reservados em muitos aspectos, faz com ele que seja uma platéia um pouco diferente da qual estamos habituados por aqui. Nos concertos que tive oportunidade de assistir por lá, em nenhum deles, por mais maravilhosos que fossem, as pessoas se levantavam para aplaudir, o que no Brasil não só é prática comum como até mesmo vulgarizada! Acredito que ambas platéias saibam expressar seu contentamento, apenas de maneiras diferentes.    


- Durante sua estada na Noruega, qual foi a experiência que lhe impressionou mais?
- Foram tantas as coisas que me impressionaram... Fiquei fascinado com o quão bem as pessoas vivem por lá, o quanto são educadas e civilizadas. O modo como funciona o Governo, o Sistema e a Sociedade também é muito impressionante, e deveria ser um exemplo para nosso país. Fiquei muito impressionado também com Bergen, um dos lugares mais charmosos e encantadores que já estive. E claro, toda a experiência musical que vivi foi de certa forma “impressionante” . Assisti a master classes e tive aulas com grandes professores, e pude me apresentar bastante, o que me enriqueceu imensamente enquanto músico.


- Você tem algum bom conselho para os participantes desse ano?
- Bom, acho que não sou a pessoa nem mais indicada nem mais experiente para dar esse tipo de conselhos para os candidatos. Afinal, sou tão candidato quanto eles. O que posso dizer é desejar boa sorte a todos, e que todos possam dar o seu melhor no momento em que estiverem sendo julgados. Acho que vale lembrar que um concurso é apenas uma pequena, porém árdua e necessária etapa do processo, e que resultados nunca têm grande importância.


- Você planeja voltar à Noruega em breve?
- Olha, claro que adoraria um dia poder rever tudo aquilo, mas acho que a Noruega é tão “pertinho” que, nesse caso, querer não é poder!!!

 

Anne Kari Garberg

 

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Leonardo Hilsdorf depois que venceu o concurso em 2005.

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